Actividade 4

TEMA 4 – PROBLEMÁTICAS DE INVESTIGAÇÃO

No campo da utilização das tecnologias no Ensino/Formação, é frequente que a própria investigação se possa traduzir em alterações profundas.

Para isso, podemos escolher uma vertente de investigação-acção. Mas há uma outra hipótese que permite a criação de projectos de investigação que se traduzem em inovações educativas. Trata-se de um método que podemos intitular Investigação Aplicada sobre o Desenho (design-based research).

Propõe-se, por isso, que cada um procure fazer uma pesquisa sobre este método realizando um resumo de modo a caracterizarmos em traços gerais este método.

A Actividade 4 decorrerá em duas fases.

Fase 1

  • Identificar e escolher um artigo sobre design-based research (DBR).
  • Com base nesse artigo, responda às seguintes questões: 
    1) Quais os aspectos mais inovadores da abordagem apresentada? 
    2) De que forma se relaciona com as abordagens tradicionais descritivo/qualitativo e/ou experimental/quantitativo? 
    3) Que dificuldades antecipam na sua implementação? 
    4) Quais as principais implicações/conclusões?

Fase 2

  • Partilha de respostas e debate em grupo no Fórum Conciliar Investigação e Inovação.



    ———————

    Para o estudo desta temática, foi necessária a leitura de vários documentos, alguns dos quais que constam na bibliografia.

    1) Quais os aspectos mais inovadores da abordagem apresentada? 

    Segundo Wang e Hannafin (2005) a metodologia por meio de DBR pode ser descrita tendo por base cinco características chave:
    – Pragmática – Os investigadores focalizam-se em questões práticas para promover a compreensão fundamental sobre design, aprendizagem e ensino. É considerada a intervenção real nos problemas actuais do mundo.
    Fundamentada – A investigação é fundamentada tanto na literatura disponível quanto no contexto do mundo real. Na faicial se inda investigação, os investigadores efectuam análise à literatura já existente, localizando casos de design e eventuais lacunas. Considera-se o contexto real em que os participantes interagem em vez de cenários de laboratório.
    – Interativa, iterativa e flexível – É interativa, pois os investigadores trabalham em parceria com as pessoas envolvidas na prática de ensino-aprendizagem, identificando abordagens e desenvolvendo princípios para as soluções pedagógicas.É iterativa, porque a investigação é caracterizada por ciclos intermitentes de design, realização ou implementação, análise e (re) design.
    É flexível, uma vez que os designs devem comportar mudanças ao longo do processo de investigação, conforme se vão obtendo novos dados e informações relativas ao contexto real.
     Integrativa – A pesquisa é realizada a partir de uma variedade de abordagens e métodos tais como entrevistas, painel de especialistas, estudos de caso, avaliação, entre outros.
    – Contextual – Embora os resultados da pesquisa estejam relacionados com um contexto específico, não impede que possam ser tidos em conta e seguidos, pois quantos mais resultados são obtidos, independentemente dos contextos, melhores serão as abordagens de investigações futuras. Com conhecimento se adquire conhecimento, permitindo o desenvolvimento de novas teorias.

    2) De que forma se relaciona com as abordagens tradicionais descritivo/qualitativo e/ou experimental/quantitativo?

    Podemos perceber que a abordagem DBR é a relação entre as metodologias teóricas e o contexto real e prático obtido através da experimentação de como as intervenções são problematizadas. Esta combinação revela imensas potencialidades relativamente à geração de conhecimento e consequentemente à criação e melhoria das teorias de aprendizagem.

    Na avaliação tradicional, uma “ intervenção” (programa de aprendizagem, um livro ou uma política) é avaliada de acordo com conjuntos de normas (Worthen, Sanders e Fitzpatrick, 1996).

    Durante a avaliação formativa os ciclos iterativos de desenvolvimento, implementação e estudo possibilitam ao designer a obtenção de  informação sobre o melhor rumo de uma intervenção. É então suspensa para dar inicio a uma avaliação sumativa. Os avaliadores podem conceptualizar o contexto como um conjunto de factores independentes da própria intervenção mas que podem ter influência nas suas características.

    À semelhança da avaliação formativa, a DBR usa métodos mistos que analisam os resultados das intervenções.

    Contrastando com a pesquisa de avaliação, a DBR identifica uma inovação de sucesso como um produto conjunto de intervenções concebidas com origem no contexto.

    A DBR vai além do aperfeiçoamento de determinado produto tendo como objectivo questionar abertamente a natureza de aprendizagem como um sistema complexo e refinar teorias generativas ou preditivas de aprendizagem.

    3) Que dificuldades antecipam na sua implementação?

    “Nem todo o ouro brilha”, e de facto o método de DBR tem alguns desafios quanto à sua implementação, a necessidade de objectividade, confiança e validade dado que são abordados de forma diferente comparativamente ao contexto laboratorial.

    Baseia-se em técnicas usadas noutros paradigmas de investigação com o conjunto de dados muito descritivos, análise sistemática de dados com medidas meticulosamente definidas e na criação de consenso em campo, suportados por interpretações de dados.

    O facto de promover a objectividade na facilitação de intervenção, acaba muitas vezes por ter um papel dicotómico, pois tanto pode ser bem como mal interpretado, por ser de facto facilitador, o que pode permitir a ocorrência de falhas.

    Os métodos que documentam processos de actuação, fornecem evidências criticas no estabelecimento de garantias sobre resultados ocorridos. As complicações surgem da intervenção sustentada em ambientes desorganizados. Uma única intervenção complexa pode envolver muitos recursos materiais e humanos, para promover uma prática inovadora. Nestas situações pode ser difícil a clarificação porque nem todos os factores podem ser prosseguidos pelo que os fenómenos emergentes podem levar a novas linhas de investigação.

    A credibilidade das conclusões e medidas pode ser promovida através de várias fontes ou de repetição de análises, o que pode prolongar a investigação.

    A manutenção de parcerias colaborativas produtivas no contexto de investigação, é um desafio logístico dado que nem sempre é fácil conciliar o trabalho de diferentes equipas de investigadores/trabalho.

    A possibilidade de desenvolver trajectórias flexíveis de investigação que contemplem os objectivos duplos na refinação de inovações valiosas e desenvolver o conhecimento mais global passível de utilizar na prática, pode tornar a investigação mais longa relativamente ao tempo e também aos conteúdos.

    Também se deve assegurar que a geração de conhecimento utilizável sobre práticas educacionais não conduzam a problemas educacionais mais complexos.

    4) Quais as principais implicações/conclusões?

    É importante perceber que a metodologia DBR deve ser valorizada pela sua capacidade em melhorar a prática educacional e que potencia a exploração de possibilidades para ambientes de aprendizagem; o desenvolvimento de teorias contextuais de ensino-aprendizagem; a construção e consolidação de conhecimento de design e o aumento de capacidade humana para a inovação educacional.

    Pode-se concluir ainda que:

    – Os métodos de DBR podem compor metodologias coerentes que relacionam a investigação teórica e a prática educacional.

    – A visão simultânea da concepção de uma intervenção e da sua actuação especifica como objectos de investigação pode produzir explicações sólidas de práticas inovadoras e que dispõem princípios úteis a outros.

    – Como são baseados na contextualização, os DBR permitem a compreensão de características sobre o ensino e a educação, podendo se transformar em aprendizagem efectiva em contextos educativos.

    – As metodologias DBR são uma forma bastante dinâmica e talvez a mais próxima de obtenção de dados semelhantes ao contexto real, uma vez que coloca em prática, com as adaptações necessárias, algumas das metodologias teóricas.



    Referências BibliográficasWang, F., & Hannafin, M. J. (2005). Design-based research and technology-enhanced learning environments. Educational Technology Research and Development, 53(4), 5-23.http://projects.coe.uga.edu/dbr/explain01.htm#references, acedido em 27/01/12.

    Design-Based Research: An Emerging Paradigm for Educational Inquiry by The Design-Based Research Collective. http://www.designbasedresearch.org/reppubs/DBRC2003.pdf, acedido em 03/02/12.

    Design-Based Research. http://edutechwiki.unige.ch/en/Design-based_research, acedido em 03/02/12.



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    Outras bibliografias consultadas:

    RAMOS, Paula. Struchiner, Miriam. Pesquisa e desenvolvimento de um ambiente virtual para o ensino de medicina e psicologia: Uma análise preliminar do processo de design. http://www.abed.org.br/congresso2008/tc/5112008113754AM.pdf, acedido em 03/02/12.
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